21 de maio de 2013


Desculpa. Desculpa mas eu ainda preciso de paredes e de armaduras. Preciso de muros, de guardas, de coletes, de espinhos e de labirintos. E depois preciso de ti. Preciso de ti para pôr à prova tudo isto. Preciso de ti para me manter inteira. Para ser completa. Para estar segura.
Tu sabes. Sabes que fui magoada, e quero que saibas disso. Quero que sejas a primeira pessoa a saber. Quero contar-te tudo. Quero que saibas o porquê de tantos medos. E eu conto-te: eu amei. Amei pela primeira vez. Amei de todo o coração. Um amor, desses quase infantis, sabes? Mas no entanto, amor. Ele era o meu mundo. Eu virei costas a tanta gente e calei tanto por ele. Oh eu sei, nem parece meu. Mas continuando: eu amei de todo o coração. Respirava e vivia no meio de tanto amor. E ele? Bem, ele deixou-me. Assim, do nada. Sem motivo, sem hora marcada. Apenas foi. Sem adeus, sem carta de despedida. Bateu com a porta e rasgou a história mais linda que alguma vez tinha escrito. Nunca pensei que ele fosse para sempre, apenas queria que fossemos vivendo um dia de cada vez. Talvez até ao fim da nossa vida, mas isso não importava. Só o queria ao meu lado. Mesmo com todos aqueles defeitos que eu fingia não ver. Ele era tão meu, sem na verdade nunca o ser.
Ele desfez-me. Fechei o coração. Levantei muros e construí paredes. Vesti-lhe um colete à prova de sentimentos. Aprendi a corrida do toca e foge. Foi o que ele fez comigo: tocou-me onde mais ninguém tinha alguma vez chegado e eu dei-lhe o que de mais precioso tinha: o meu coração. E ele fugiu. Fugiu de todo aquele amor que lhe estava disposta a entregar. Fugiu das guerras que prometeu enfrentar ao meu lado. Por isso aprendi a ser assim: fria. Aprendi a desligar-me das pessoas. A não me apegar a elas. 
Estou cansada, pequeno. Estou cansada de tanta frieza. Preciso de alguém que me aqueça. Que me aqueça as mãos e o coração.  E agora chegas tu. Chegas de mansinho, em pés de lã, e abres-me a porta do coração. Ocupa-lo como se soubesses que te pertence. E pertece. Por inteiro. Desculpa a confusão, as cicatrizes e as feridas. Desculpa o pó e o cheiro a mofo. Desculpa as caixas amontoadas aos cantos e os remendos caídos por aí. 
Gosto de ti, meu grande. De ti e desse teu coração lindo. Fica. Fica para me aquecer o coração e a ponta do nariz. Gosto de ti, já te disse hoje?

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